quarta-feira, fevereiro 13, 2008

«Primeiro-ministro da Austrália pede desculpa»

Cacique denuncia ameaça a índios da etnia Bororo em Mato Grosso

No Globo Online: "BRASÍLIA - Cerca de 30 famílias da etnia Bororo, que habitam a aldeia Jarudore em Poxoréu (MT), a 250 quilómetros de Cuiabá, temem por um massacre. Segundo a cacique Maria Aparecida Toro Ekureudo, as ameaças partem de fazendeiros e posseiros da região, que querem as terras ocupadas pelos indígenas, cuja posse está sendo contestada na Justiça desde 2003. Em entrevista à Rádio Nacional da Amazónia, a cacique Maria Aparecida Toro Ekureudo afirmou que vem procurando a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Polícia Federal para pedir protecção para os habitantes da aldeia. Segundo ela, as ameaças ocorrem desde 2005." [notícia completa]

Reuters: «Australia to make historic apology»


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AUSTRÁLIA: Governo pede desculpa a povo aborígene

Na TSF: "O Governo australiano pediu desculpa, esta quarta-feira, aos aborígenes pelos maus-tratos a que foram submetidos durante décadas. Segundo um relatório dos anos 90, foram roubadas cerca de 100 mil crianças ao povo indígena da Austrália. O Governo australiano pediu desculpa, esta quarta-feira no Parlamento, ao povo aborígene pelos maus-tratos que os sucessivos executivos infligiram aos nativos da ilha durante décadas, em especial pela retirada das crianças aborígenes às suas famílias. «Pedimos desculpas especialmente por termos retirado as crianças às famílias, às comunidades e ao país. Pela dor e sofrimento a que foram submetidas estas gerações roubadas, os seus descendentes e as suas famílias, pedimos perdão», frisou o primeiro-ministro. Kevin Rudd, vencedor das eleições de Novembro, depois de ter prometido na campanha apresentar as desculpas da nação à comunidade aborígene, pediu ainda perdão «pelo atentado à dignidade e a humilhação infligida a um povo orgulhoso de si mesmo e da sua cultura»." [notícia completa]

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Governo australiano pede desculpas formais aos aborígenes

No PÚBLICO.PT: "O Governo de Kevin Rudd acolheu uma grupo de anciãos aborígenes no parlamento australiano, dado início à solene cerimónia de pedido de desculpa pelos abusos contra aquele povo no passado." [notícia em vídeo]

Austrália reconhece erros do passado e pede desculpa a aborígenes no novo Parlamento

No PÚBLICO.PT: "Uma cerimónia tradicional aborígene na inauguração do novo Parlamento australiano e um pedido de desculpa por parte do primeiro-ministro Kevin Rudd. Inédito, talvez inesperado, mas há muito aguardado pela população nativa destas terras que durante décadas foi alvo de violações, injustiças e abusos. Terça-feira dia 12 de Fevereiro vai ficar na história australiana, uma história que a partir de hoje não falará em dois destinos: o dos aborígenes e o dos cidadãos brancos. O primeiro-ministro do país quis pôr um ponto final na separação entre as duas comunidades através de um pedido oficial de desculpa à chamada “Geração Roubada”, evitado e negado pelos seus antecessores. O líder trabalhista Kevin Rudd só pronunciará o discurso oficial amanhã. No entanto, o texto foi apresentado hoje de manhã no novo Parlamento – construído em terrenos da tribo Ngambri – e prevê-se que seja aprovado, uma vez que o seu partido é maioritário." [notícia completa]

«Aborígenes marcham por novas relações raciais na Austrália»

No G1: "Aborígenes marcham no Congresso Nacional em Camberra, na Austrália. Eles dançaram e cantaram numa cerimônia que muitos esperam que seja um marco de uma nova era de relações raciais no país. O premiê Kevin Rudd planeja fazer um discurso histórico de desculpas aos índigenas do país por injustiças passadas". [notícia completa]

Declaração dos Povos Indígenas da ONU é traduzida para o português

No Correio Web: "Um livro traduzido para o português com os 46 artigos da Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovada por 144 países sob a coordenação da Organização das Nações Unidas (ONU) em 13 de Setembro de 2007, foi lançado hoje (12) em Brasília. O documento é o resultado de 27 anos de discussões entre representantes de 5 mil povos indígenas espalhados por 70 países, que somam hoje 370 milhões de pessoas. Participaram do evento Hector Huertas, presidente da organização indígenas Conclas, que congrega diversas etnias sul-americanas, o coordenador da Associação dos Povos Indígenas do Nordeste, Apoine, Weibe Tapeba, Rosana Tomazini, representante da União Europeia, e representantes de cerca de 20 etnias." [notícia completa]

Governo australiano oficializa pedido de perdão a aborígenes

Na Folha Online: "O governo da Austrália apresentou ao Parlamento nessa terça-feira o texto com o pedido oficial de desculpas que o primeiro-ministro, Kevin Rudd, transmitirá na quarta-feira (13), pedindo "perdão pela dor, sofrimento e perda" dos aborígenes. Em nome do Legislativo, Rudd se dirigirá às vítimas da chamada "geração roubada", referindo-se aos de 100 mil aborígenes com menos de 18 anos que entre 1910 e 1970 foram separados de suas famílias e entregues a famílias de origem européia, como parte de um programa governamental de assimilação cultural." [notícia completa]

domingo, fevereiro 10, 2008

Índios da Amazônia padecem com falta de saúde decente

Na Agência Amazónia de Notícias: "BRASÍLIA — São precaríssimas as condições sanitárias e de saúde dos índios da comunidade Iauaretê, em São Gabriel da Cachoeira, na região do Alto Rio Negro, no Amazonas: de 65 amostras de água analisadas, 89,2% apresentaram presença de coliformes fecais. Também não há destinação correta para os resíduos sólidos. Esse índice é revelado por estudo de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Amazonas e das Universidades de São Paulo e do Amazonas. A pesquisa concluiu também que são preocupantes as práticas sanitárias dos indígenas, sob o ponto de vista de saúde pública." [notícia completa]

sábado, fevereiro 09, 2008

Washington Post fala sobre índios

No Página 20: "Vilhena - A revista Post Magazine, veiculada aos domingos junto com o jornal The Washington Post, dos Estados Unidos, mostrou recentemente uma ampla reportagem sobre os índios isolados (de etnia desconhecida) de Rondônia. A matéria, assinada por Monte Reel, trouxe depoimentos de sertanistas que trabalharam - e foram perseguidos - no Estado por conta da luta em defesa dos direitos dos povos indígenas. É o exemplo de Marcelo dos Santos. Na época em que ele foi chefe do Departamento de índios isolados da Fundação Nacional do Índio (Funai), comprou brigas com latifundiários e políticos influentes. Por fim, recebeu uma moção de repúdio da Assembleia Legislativa de Rondônia, em 1997. Do total de 24 parlamentares estaduais, 23 trataram-no como 'persona non grata'. Contraditoriamente, um ano depois, Marcelo foi condecorado pelo Governo Federal com a Ordem de Rio Branco ao grau de Cavaleiro. No entanto, foi embora de Rondônia por pressão política; hoje vive em Goiás." [notícia completa]

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Tribo indígena dos batek sobrevive na selva da Malásia graças ao turismo

No Globo Online: "KUALA TAHAN, Malasia - Os integrantes da tribo dos "batek", da qual restam menos de mil indivíduos, sobrevivem como caçadores e catadores nômades na selva virgem da Malásia, graças, paradoxalmente, a um fenômeno tão moderno como o turismo de massa. Os "batek", que formam, por sua vez, a etnia dos "orang asli" (povoado original, em malaio), vivem limitados a seu hábitat a mais de quatro mil quilômetros quadrados no parque natural de Taman Negara pelas plantações de palma e pelas atividades agropecuárias." [notícia completa]

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

«Patricia, a dignidade mapuche»

No Carta Maior: "Patricia Troncoso, conhecida como "La Chepa", é auxiliar de uma escola de crianças, no sul do Chile. Estudou teologia no Instituto de Ciências Religiosas da Universidade Católica de Valparaiso. Por suas origens mapuches, aproximou-se dessas comunidades, buscando suas próprias raízes, primeiro na zona do Alto Bío-Bío e depois fazendo parte da Coordenadora Arauco-Malleco (CAM), na cidade de Traiguén. Sofreu o primeiro processo em Outubro de 2002, acusada, juntos com dois outros dirigentes mapuches, de incêndio de uma fazenda, tendo sido absolvida. Dois meses depois, sofreu um novo processo, acusada de ser membro da CAM, organização mapuche colocada na ilegalidade – em pleno regime "democrático" pós-pinochetista -, por ser considerada uma "associação ilícita terrorista". Depois de dois outros processos, Patricia foi novamente declarada inocente, além de que houve retratação por ter sido perseguida como membro da CAM. Mas um novo processo, em 2004, condenou-a por "incêndio terrorista" da fazenda Poluco Pidenco da Forestal Mininco, a 10 anos de prisão junto a outros seis dirigentes mapuches, pela Lei de Segurança Interior do Estado e pela Lei Antiterrorista, criada pela ditadura de Pinochet e retomada pelo governo socialista de Ricardo Lagos." [notícia completa]

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Mapuche Não lhes toquem na terra

No PÚBLICO: "O povo que mora para lá do Bío Bío, a caminho do fim do Chile, não gosta que lhe toquem na terra. E quando isso acontece há problemas. Há séculos que é assim, desde os incas. E continua a ser, hoje, com os winkas, como chamam aos brancos, e as suas pistas de aterragem, barragens, fome de ferro e madeiras preciosas. Por isso, Janeiro foi um mês infortunado para os índios mapuche. Por Fernando Sousa

Os mapuche respiraram de alívio quando souberam no fim de Janeiro que a sua mais recente heroína, Patrícia Troncoso, 37 anos, desistira da greve da fome e vergara o Estado chileno. Acabava em bem uma batalha de 112 dias, com algum espaço nos media locais e alguns de fora - um pequeno intervalo numa luta que tem centenas de anos e se vai agudizar neste e nos próximos.
Tudo começou quando "La Chepa", como os companheiros a tratam, condenada a dez anos de prisão por "terrorismo", disse que não voltaria a comer enquanto não revissem a sua sentença, melhorassem as condições de detenção de outros presos e ouvissem o que tem a dizer sobre os direitos do seu povo. Isso foi no dia 10 de Outubro e ninguém em Santiago lhe ligou. Desde então perdeu 30 quilos e só não morreu porque, no hospital de Chillán, no centro Sul do país, onde foi internada, as autoridades a alimentaram à força através de tubos e a Igreja Católica intercedeu.
Patrícia Troncoso, uma antiga estudante de Teologia, foi julgada duas vezes por terrorismo, sob leis feitas pela ditadura de Augusto Pinochet, uma por pertencer a uma organização de direitos mapuche, a Coordenadora Arauco-Malleco (CAM), ilícita, e sempre absolvida. Mas a terceira vez que foi a tribunal, acusada do incêndio de uma área indígena entregue a uma empresa madeireira, a Mininco, acabou condenada.
O episódio fechou em bem quatro semanas que abalaram a Araucanía, a região com mais população original. O pico desses dias infernais foi a morte de Matias Catrileo, 22 anos, membro da CAM, abatido a tiro por carabineiros, diz-se que pelas costas, quando tentava com outros companheiros ocupar a fazenda de um agricultor na comuna de Vilcún, 670 quilómetros a sul de Santiago. Em dois outros incidentes, grupos de cara escondida e armados atacaram e queimaram camiões de madeireiros e cercaram um posto policial onde pensavam que estavam companheiros detidos.
Alguém que ouça os índios
A luta dos mapuche - e também dos aymara, rapa ni, likarantay, quechuas, colas, diaguitas, kawashkar, selkmans - é como a de outros povos do continente. Exigem o que sentem que é seu, em primeiro lugar a terra, ou pelo menos serem ouvidos em tudo que se relaciona com ela. Os winkas, como chamam aos brancos, chegam e fazem o que querem, desviam rios, fazem barragens, estendem linhas de alta tensão, constroem aeroportos e estradas onde entendem, cortam árvores, exploram minas, poluem lagos. Inundam zonas sagradas, alagam cemitérios. E pelo meio abrem ou exploram divisões entre o grupo.
Uma das regiões em tumulto é a comuna de Panguipulli, província de Valdívia, rica em recurso naturais, para onde estão pensados sete megaprojectos hidroeléctricos. Os rios ameaçados, entre outros, são cinco, mais uma série de lagos e uma muito rica biodiversidade. Os habitantes acham que vai haver um "massacre ambiental". E por arrasto prejuízos numa das actividades com que ainda convivem bem: o turismo.
Outra é o aeroporto que o Governo pretende construir em Temuco, na IX Região. A ideia é tê-lo pronto com outras obras no bicentenário da independência, em 2010. O terminal terá um edifício de 5 mil metros quadrados e uma pista de 2440 metros, que poderá ser ampliada até aos 3200. A obra é apresentada como essencial para a dinamização da região. Mas os mapuche não vão ganhar nada com isso, bem pelo contrário.
A comunidade local, cerca de 5 mil pessoas, não está para sofrer com o barulho dos boeings ou a respirar os gases dos motores, acusando as autoridades de não terem feito todos os estudos ambientais necessários para avaliar os reais impactos económicos, sociais e culturais da construção. E a alcaide da zona disse que os indígenas "vão ter de fazer as cerimónias religiosas com aviões a passarem sobre as cabeças".
Na VIII Região, na zona do lago Lleu Lleu, o problema é uma empresa mineira. Os mapuche já tinham aqui um contencioso com madeireiros. Agora é com mineiros, em busca de ferro e magnetite. Temem que a exploração, no interior da Área de Desenvolvimento Indígena, comprometa as águas. Dizem ainda que o chão a ser esburacado é território "sagrado".
A zona é velha em conflitos. Ali se lutou entre 1860 e 1925. "Em 1935 entregaram a terra aos mapuches. O cerro Treng Treng é sagrado. É aí que pedimos à natureza que cuide de nós. Os nossos antepassados lutaram para conservar a sua cultura. Não há dinheiro que possa pagar isso", protestou Martiniano Nahuenthual nas páginas de um semanário do lugar, o Punto Final.
Bom, e o Parque Pumalín - o famoso Parque Pumalín. A região, de cerca de 270 mil hectares, pertence a um multimilionário norte-americano. Mas o problema não é ele, Douglas Tompkins, que aliás adquiriu a zona para a preservar de atentados. O problema é a Transelec, que se prepara para plantar torres e estender cabos ao longo de 2 mil quilómetros de florestas e bosques primitivos. A rota foi definida na sequência de discussões com o proprietário, que não terá conseguido garantir a inviolabilidade de todo o percurso. Os trabalhos vão começar em 2009.
O parque, adquirido para se tornar um santuário da natureza, constitui o arquétipo dos conflitos ambientais no país, pois mostra o confronto ideológico que ocorre ali em matéria ecológica, diz Marcel Claude, economista da Universidade do Chile. A discussão traz frente a frente os partidários do projecto modernizador, a maior parte do Governo e a direita política e económica, por um lado, e um conjunto muito heterogéneo de cidadãos que defendem a necessidade de reorientação do modelo de desenvolvimento, por outro. Isto é, entre os defensores do neoliberalismo e os que têm uma cosmovisão do espaço ameaçado.
Alguém que ouça a ONU
Assim acabou 2007, um ano em que o Estado chileno fez pouco ou nada pela nação mapuche, diz José Aylwin, director do Observatório de Direitos Indígenas. No plano jurídico, tem a seu crédito o voto positivo que deu à declaração dos direitos dos Povos Indígenas, adoptada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Setembro. Mas foi tudo. O Senado não ratificou o Convénio 169 da OIT, que espera a sua aprovação desde 1991. O diploma reconhece aos povos indígenas direitos colectivos, como a participação e a autonomia, a terra, o território e os recursos naturais. E o Congresso recebeu um novo projecto de reforma constitucional onde se dispõe que a nação chilena é "multicultural" e se reconhece a existência dos povos originários que habitam no território, e o seu direito a conservar, desenvolver e fortalecer a sua identidade, idiomas, instituições e tradições sociais e culturais, mas a sua aprovação é duvidosa.
Assim acabou 2007 e assim vai ser em 2008, prevê Aylwin, que diz ainda que o Estado não só não ouve os mapuche como não ouve o Comité de Direitos Humanos da ONU, que em Março pediu a Santiago que ponha termo à violência policial sobre as suas minorias, consulte os indígenas sobre os projectos previstos para os seus territórios, modifique a lei antiterrorista e respeite os direitos dos povos autóctones, o mundo de coisas que levou Patrícia Troncoso a tribunal e à prisão, e quase à morte." [artigo integral]

Os «primeiros guerrilheiros» da América Latina

"Muito combativos, os índios mapuche resistiram primeiro aos incas, depois à Espanha e desde o século XIX à oligarquia chilena

Uma nação é um conjunto de indivíduos ligados por uma comunhão de cultura e tradições, uma história, às vezes pela raça ou a língua, mas quase sempre por uma ligação forte a uma terra. É o que são os mapuche, uma palavra feita de duas, "mapu", que é terra, e "che", que é homem, que segundo o censo de 2002 serão 604.349 pessoas, ou 87 por cento da população originária chilena, organizados nas comunidades huenteche, huiliche, labfquenche, nagche e peahuenche, espalhadas pelas províncias de Bío Bío, Cautin, Malleco, Osorno e Valdívia, situadas na extremidade meridional do Chile, e puelche, esta na vizinha Argentina. Cerca de 30 por cento vive na região da Araucanía.
O combate que estes "primeiros guerrilheiros da América Latina", como lhes chamou Luís Sepúlveda, travam pela sua terra tem séculos. Muito combativos, resistiram aos incas, depois à Espanha e desde o século XIX à oligarquia chilena. Em 1641, pelo acordo de Quilin, foram expurgados de 30 milhões de hectares de território, incorporados no Chile colonial, e empurrados para Sul do Bío Bío, o grande rio, uma espécie de no man"s land, fronteira natural.
E nunca mais houve paz, senão por curtos instantes. Habitantes indesejados de solos ricos, viram-nos ocupados pelos militares em 1881. Ao genocídio, a historiografia oficial chilena chama eufemisticamente a "pacificação da Araucanía". Durante o Governo da Frente Popular, entre 1938 e 1941, e o da Unidade Popular, de Salvador Allende, de 1970 a 1973, respiraram fundo. Mas em 1974, a ditadura militar de Augusto Pinochet expurgou-os de 300 mil hectares atribuídos pela reforma agrária do regime anterior, para os concederem ou venderem a empresas madeireiras ou mineiras, ou antigos latifundiários.
Em 1999, no pico de uma violenta onda de repressão, o presidente da Corporação Chilena da Madeira, José Ignacio Letamendi, declarava categoricamente: "Sob nenhum pretexto, e quaisquer que sejam as circunstâncias, não entregaremos a terra aos mapuche, que são incapazes de a cultivar." (Le Monde Diplomatique, Novembro de 1999)
Já no Chile democrático, os governos da Concertação, formado por democratas-cristãos e socialistas, não fizeram senão modificar a estrutura da propriedade agrária favorecendo a implantação de empresas madeireiras ligadas a capitais internacionais. As leis, mesmo agora com a Presidente socialista Michelle Bachelet, desconhecem no essencial a sua realidade e os seus problemas. No trato com os que protestam, os tribunais aplicam a lei antiterrorista de Pinochet e os detidos considerados "terroristas". E a linguagem e os métodos dos carabineiros chilenos continuam a ser os mesmos dos anos de chumbo - tratam-nos por "porcos", "cães", "índios de merda" ou "filhos da puta de índios" (Le Monde Diplomatique), ou atiram a matar como no caso de Matias Quezada." [artigo integral]

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Austrália pedirá desculpas a aborígenes

No Globo Online: "O governo australiano anunciou nesta quarta-feira que fará seu primeiro pedido formal de desculpas à população aborígene por injustiças cometidas no passado. De acordo com a ministra australiana de Assuntos Indígenas, Jenny Macklin, o pedido de perdão foi marcado para o primeiro dia de atividades do novo Parlamento do país, no dia 13 de fevereiro. Segundo Macklin, o pedido formal é uma prioridade do novo governo e vai representar um novo começo nas relações entre povos aborígenes e o resto da população." [notícia completa]

terça-feira, janeiro 29, 2008

Chile: graças à mediação eclesial, finaliza jejum da activista mapuche

No ZENIT: "RANCAGUA, terça-feira, 29 de janeiro de 2008 (ZENIT.org).- Com uma declaração titulada «Obrigado pela vida», o bispo Alejandro Goic, de Rancagua (Chile), e presidente da Conferência Episcopal (CECh) do país anunciou o fim do jejum da activista mapuche Patricia Troncoso, segundo informava ontem este organismo em seu site. A ativista Troncoso foi condenada a 10 anos de prisão pelo incêndio de um bosque na região da Araucanía, a partir dos protestos do povo mapuche por recuperar terras que consideram ancestrais. Na declaração «Obrigado pela vida», Dom Alejandro Goic pede generosidade para evitar novas situações de violência em terras mapuches. «Qualquer polarização, longe de procurar soluções e acordos, os atrapalha», afirma." [notícia completa]

Austrália fará pedido formal de desculpas aos aborígenes

Na AnsaLatina: "SIDNEY, 29 JAN (ANSA)- A Austrália pedirá desculpas aos aborígines de seu território pelo que sofreram durante a denominada "geração roubada", ainda que isso não signifique abrir o caminho aos pedidos de indemnizações. O primeiro-ministro australiano Kevin Rudd esclareceu hoje a posição do governo trabalhista, anunciando para a inauguração do Parlamento, em 12 de Fevereiro, um discurso com as desculpas formais que serão apresentadas aos aborígines. "Não queremos abrir fundos de ressarcimento. Nossa intenção é colocar a base de uma ponte que una os australianos indígenas aos não indígenas. Logo poderemos trabalhar para cobrir as diferenças existentes entre os dois grupos nos campos da educação e da saúde", declarou." [notícia completa]

domingo, janeiro 27, 2008

POLICIAIS PRENDEM 36 MAPUCHES EM DESALOJAMENTO DE IGREJA

Na Ansalatina: "SANTIAGO DO CHILE, 27 JAN (ANSA) - Trinta e seis pessoas foram presas após policiais retirarem seis grevistas que ocupavam desde quarta-feira as instalações da catedral de Concepción, 500 quilómetros ao sul de Santiago, em apoio à activista mapuche, Patrícia Troncoso. Os seis activistas de origem indígena serão formalizados pelo Ministério Público pelo crime de usurpação de local físico." [notícia completa]

sábado, janeiro 26, 2008

Terceiro caso de suícidio indígena choca Mato Grosso do Sul

No Última Hora News: "Mais um indígena cometeu suícidio esta semana no Mato Grosso do Sul. Este é o terceiro caso, em menos de uma semana e mais um aviso de alerta sobre a degradante situação vivida pelos indígenas. Depois que a situação dos índios brasileiros ganhou proporções internacionais, devido aos constantes escândalos que forraram os noticiários, e que não podiam mais ser escondidos pelos representantes dos governos, os mesmos resolveram que era preciso adoptar atitudes que ao menos amenizassem suas condições. Entretanto o Brasil é um país recheado de problemas e, no caso dos índios, quando o problema deixou de fazer parte do catálogo da displicência, passou a fazer parte do catálogo da incompetência." [notícia completa]

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Federação internacional de Direitos Humanos apóia ativista mapuche no Chile

Na AFP: "SANTIAGO (AFP) — A Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) manifestou nesta quinta-feira indignação com a situação de uma activista mapuche chilena que mantém longa greve de fome em protesto contra a pena a que foi condenada com base na lei antiterrorista. O caso da activista Patricia Troncoso, há mais de 100 dias em greve de fome, motivou uma série de manifestações no Chile, entre elas a ocupação da sede da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Santiago nesta quinta-feira. "É indigno ver que apesar desta pessoa está morrendo, o governo continua menosprezando-a, a ela e a seu povo, e legitimando a repressão, em nome da ordem pública", disse em comunicado Souhayr Belhassen, presidente da FIDH. A FIDH, com sede em Paris, foi criada em 1922 e reúne 155 organizações em cerca de 100 países. Coordena e apóia ações para prevenir violações dos direitos humanos. Belhassen acrescentou que a aplicação da lei antiterrorista neste caso é desproporcional e "põe de manifesto a discriminação profunda que ainda existe no Chile contra os povos indígenas, inclusive entre as mais altas autoridades do país". A activista foi condenada em 2001 a 10 anos de prisão por um ataque incendiário a um prédio particular no sul do Chile. Patricia faz greve de fome para exigir, também, a liberdade de outros mapuches condenados pela 'Ley Antiterrorista' - uma norma draconiana ditada pelo ex-ditador Augusto Pinochet (1973-90)." [notícia completa]

MANIFESTANTES A FAVOR DE ACTIVISTA MAPUCHE OCUPAM SEDE DA OIT

Na Ansalatina: "SANTIAGO, 24 JAN (ANSA) - Manifestantes em apoio à activista mapuche, Patricia Troncoso, ocuparam nesta quinta-feira a sede da Organização Internacional do Trabalho, enquanto grupos de direitos humanos se pronunciaram no Palácio dos Tribunais pedindo para que sejam aceites os pedidos da mulher que está em greve que fome há mais de 100 dias. Os actos se somaram à ocupação realizada por seis pessoas desde quarta-feira passada, cujos integrantes também estão em greve de fome, na Catedral de Concepción (500 quilómetros ao sul de Santiago). Eles exigem a libertação da activista mapuche, que está internada no Hospital de Chillán dado seu delicado estado de saúde. A ocupação do edifício da OIT é liderada pelo ex-candidato à presidência Tomás Hirsch, acompanhado de Berna Castro - médico pessoal de Patricia Troncoso - e Eduardo Artés, primeiro-secretário do Partido Comunista, junto a outros 15 manifestantes." [notícia completa]

terça-feira, janeiro 22, 2008

Chile: "GOVERNO ESTUDA MEDIDAS PARA 'SALDAR DÍVIDA' COM MAPUCHES

Na Ansaltina: "SANTIAGO DO CHILE, 22 JAN (ANSA) - O governo de Michelle Bachelet anunciou hoje que estuda medidas para o povo mapuche com a "intenção de saldar a dívida histórica" enquanto esclareceu que aplicará "a lei com rigor" para os que atinjam a "ordem pública". O ministro da Presidência, José António Vieira Gallo, disse que o governo estuda medidas a curto, médio e longo prazo para os mapuches do Chile, com o objectivo de "saldar a dívida histórica" com esse povo. O ministro esclareceu ainda que será aplicada "a lei com rigor, tanto aos que saírem da ordem pública, como àqueles que não respeitarem os direitos indígenas". Viera Gallo expressou que La Moneda está preocupada pela saúde da activista Patrícia Troncoso, que corre risco de morte após permanecer em greve de fome desde 10 de outubro. Nas últimas horas da noite, os médicos lhe aplicaram soro contra sua vontade. Para o ministro, a ativista "já conseguiu seu objectivo de colocar em primeiro plano os problemas do povo mapuche", por isso deveria acabar com essa greve." [notícia completa]

Após 102 dias de greve de fome, líder mapuche é hospitalizada

No Brasil de Fato: "Em greve de fome desde 10 de outubro de 2007, a presa política mapuche Patricia Troncoso Robles pode morrer a qualquer momento. A activista foi condenada a 10 anos de prisão pela Lei Antiterrorista, em vigência no Chile desde a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). A líder, que já cumpriu cinco anos da pena, foi acusada de provocar um incêndio em dezembro de 2001 numa propriedade da empresa florestal Minenco, no município de Ercilla. No dia 15 de janeiro, a ativista foi transferida para um hospital na cidade de Chillán, próxima de Santiago, contra sua vontade e sem que sua família fosse avisada. Para os familiares, a acção é uma tentativa do governo de Michele Bachellet de diminuir o número de protestos em defesa da causa dos mapuches. Lideranças indígenas e familiares desejavam que Patrícia fosse levada a Santiago, onde há melhores instalações médicas para atendê-la, mas acreditam que isso não foi feito, pois sua presença na capital do país poderia despertar mais solidariedade popular. De acordo com a médica Berna Castro, que a examinou, Patrícia está em grave estado de saúde e corre risco de vida. Os familiares da ativista alegam que não puderam visitá-la e recorreram à Justiça para reverter a medida." [notícia completa]

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Atentado a bomba no Chile é represália a assassinato de mapuche

No Globo Online: "SANTIAGO - Uma ligação anónima advertiu que o atentado desta madrugada contra uma agência bancária é a primeira represália pelo assassinato do estudante universitário mapuche Matías Catrileo, que morreu em um incidente com a polícia em 3 de Janeiro. Uma bomba que provocou danos leves foi colocada em uma agência do banco BCI, no leste de Santiago. "É uma represália, e apenas a primeira, pelo assassinato do huicase (companheiro) Matías Catrileo, e é uma represália contra os donos do país, uma parte dos donos do país são os bancos", disse a pessoa ao telefone, reivindicando o atentado." [notícia completa]

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Manifestantes apóiam activista mapuche em greve de fome no Chile

No Globo Online: "SANTIAGO DO CHILE - Cerca de 200 pessoas fizeram uma passeata nesta quarta-feira, no centro da capital chilena, a favor da activista mapuche Patricia Troncoso, que está presa desde 10 de Outubro e iniciou uma greve de fome. A passeata terminou a duas quadras do Palácio de La Moneda, sede do Executivo. Não houve incidentes." [notícia completa]

domingo, janeiro 13, 2008

Amazónia: Índios atacam e fazem reféns

No Correio da Manhã: "Índios da Normandia, cidade brasileira na selva da Amazónia, fizeram vários reféns numa festa da colheita de arroz. Os índios atacaram com flechas, ferindo um militar e um bombeiro e sequestrando várias pessoas." [notícia completa]

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Violência contra índios ganha contornos de 'genocídio'

No Diário de Notícias do Funchal: "O Conselho Indigenista Missionário (CIMI), uma organização ligada à Igreja Católica que luta pelos direitos dos povos indígenas, advertiu para o maior valor de sempre de vítimas mortais. As 76 vítimas mortais traduzem um aumento de 63% relativamente a 2006. Para o quadro de "genocídeo" concorre os conflitos pela disputa de terras e o "confinamento" de algumas tribos em pequenas áreas geográficas. Em 2006, foram assassinados 48 índios, comparou a organização, que lançará em Abril deste ano um relatório completo sobre a violência contra os povos indígenas, nos dois últimos anos. No ano passado, o maior número de índios assassinados foi no Estado do Mato Grosso do Sul, na região Centro-Oeste, com um total de 48, seguido pelo Estado de Pernambuco, na região Nordeste, com oito vítimas mortais." [notícia completa]

Assassinatos de índios crescem 150% em MS

No JORNALE: "Dados da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) mostram que o número de assassinatos nas reservas indígenas do Mato Grosso do Sul cresceu 150% em 2007 na comparação com o ano anterior. Entre janeiro e outubro de 2007, 35 indígenas foram mortos em conflitos fundiários ou em episódios relacionados ao consumo de álcool e de drogas. Em todo o ano de 2006, foram 14 homicídios. O Estado é o que tem a segunda maior população indígena do País, com 63 mil pessoas. "Os índios estão confinados em áreas minúsculas, essa é a raiz do problema que se soma à proximidade com as cidades de onde vieram o alcoolismo e as drogas", diz o coordenador técnico do Distrito Sanitário Indígena da Funasa em Mato Grosso do Sul, Zelik Trajber." [notícia completa] [notícia no Globo Online]

Índios lakota em luta pela sua independência

No Diário de Notícias: "Nas duas últimas semanas de 2007, houve uma intensa actividade diplomática em Washington que, no entanto, passou quase despercebida. Um grupo que incluía os dirigentes do Movimento Índio Americano foi recebido no Departamento de Estado e nas embaixadas da África do Sul, Bolívia, Chile e Venezuela, onde explicou os motivos por que deve ser concedida a independência à nação lakota, pedindo ao mesmo tempo apoio para que isso aconteça. O grupo vai continuar as visitas às embaixadas. O actor Russell Means, porta-voz do grupo, diz que as acções do Governo dos EUA invalidaram os tratados assinados com a nação lakota em 1851 e 1868, que os índios estão cansados "de viver num sistema colonial de apartheid" e que a única solução é negociarem a independência." [notícia completa]

quinta-feira, janeiro 03, 2008

AMNISTIA INTERNACIONAL CONDENA REPRESSÃO CONTRA INDÍGENAS

Na Ansa Latina: "SANTIAGO DO CHILE, 3 JAN (ANSA)- Kart Boehmer, presidente da Amnistia Internacional (AI) no Chile, condenou o uso excessivo de força e lamentou a morte do indígena mapuche Matias Catrileo, causada por disparos da polícia, que protegia uma fazenda na região de Vilcún. "Para nós é lamentável a morte ou violação dos direitos humanos de qualquer pessoa, de qualquer idade, condição ou etnia", assegurou Boehmer, enfatizando que "nos preocupa há bastante tempo o uso excessivo da força pública na repressão de certas manifestações políticas de mapuches". [notícia completa]

'Into the West': Mini-série produzida por Steven Spielberg estreia na FOX em Fevereiro

Na GLOBO: "A marcha ao velho oeste norte-americano e a guerra entre índios e brancos é o tema da mini-série "Into The West", que a Fox estreia dia 2 de Fevereiro, sábado, às 18h. Com seis episódios de duas horas cada, a mini-série produzida por Steven Spielberg conta a tomada do Oeste americano sob uma óptica menos explorada: a dos índios." [notícia completa]

Índios declaram guerra contra chefe da Funasa

No Jornal Local Online: "(03.01.08) Declaração feita pelo cacique Aniceto Tsudzavéré Xavante referindo-se a Marley Arantes, chefe da Funasa, em Barra do Garças. O Cacique encaminhou documento ao Ministério Público Federal, à presidência da Funasa denunciando a morte de crianças indígenas culpando a chefia do órgão pelos problemas. Aniceto Tsudzavéré avisou que a exoneração de Marley evitará derramamento de sangue." [notícia completa]

Brasil: No ano passado 35 índios foram assassinados em MS

No Campo Grande News: "Os assassinatos dos índios guarani kaiowa Cleison Vasques, de 29 anos, Celestino Franco, de 62, inauguram em 2008 uma estatística que não dá sinais de redução: a das mortes violentas nas aldeias de Mato Grosso do Sul (MS). De acordo com a Funasa (Fundação Nacional de Saúde), o número de assassinatos nas áreas indígenas triplicou em 2007. Em 2006, houve 14 homicídios em aldeias. Entre Janeiro e Outubro do ano passado, foram registradas 35. Mortes ocorridas nos meses de Novembro e Dezembro ainda não estão no levantamento." [notícia completa]

Índios colombianos se refugiam no Brasil

Na Folha Online: "Um censo inédito feito na fronteira do Brasil com a Colômbia identificou 405 indígenas colombianos de dez etnias, que entraram em território brasileiro fugindo do conflito armado no país vizinho, sobretudo do recrutamento forçado pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Os indígenas foram identificados pela Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro) em levantamento solicitado pelo ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) no Brasil. Eles fugiram, principalmente, da região colombiana de Mitú, no rio Uaupés, marcada por intensos confrontos." [notícia completa]

Russell Means explica as razões da declaração de independência dos Lakota

[Em inglês]


Mais informação:
Lakota Oyate
Republic of Lakotah

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Lakota – o Kosovo dos EUA

No Pravda: "Enquanto Washington gosta de se intrometer nos assuntos internos da Sérvia, Índios Lakota exigem nação livre e independente e se retiram do Tratado de Fort Laramie que assinaram com os EUA em 1868. Na sua declaração, os Lakota afirmam que "Somos os Lakota das reservas índias Sioux de Nebraska, Dakota Norte, Dakota Sul e Montana, que adoram a liberdade e que se retiraram dos tratados, constituindo assim uma nação independente e livre. Alertamos a Família das Nações que reassumimos a nossa liberdade e independência sob a lei natural, internacional e dos EUA". [notícia completa]